1º Passeio de Reformados da União – Reportagem

No passado dia 14 de Agosto foi o 1º Passeio de Reformados da União das Freguesias de Alvega e Concavada – a continuação de uma tradição deixada por Presidentes anteriores. A espera para o embarque começou com uma madrugada fria e um sol ainda adormecido, escondido pela luz dos candeeiros da rua, mas em boa disposição, com conversas a surgirem de vários focos de pessoas espalhados pela paragem e o jardim. Às 7:10 da manhã, com o sol já no céu, os três autocarros e a carrinha da Junta – conduzida nem mais nem menos pelo Presidente José Felício – arrancaram em direcção à auto-estrada.

Se bem que algumas pessoas não sabiam sequer onde vai ser o passeio. “Vou atrás dos outros! (risos)” diz Isabel já dentro do terceiro autocarro pronta para ir passear mas sem saber onde. Neste dia ainda haverá muito para ver, mas a primeira paragem é o pequeno-almoço em Rio Maior das 8:30 às 9 horas. Com a manhã ainda fria, parámos no Jardim Municipal e rapidamente todos saíram dos autocarros em direcção às casas-de-banho – que logo por azar só abririam às 10 horas da manhã. E assim se encheu o pequeno café do jardim “Solar do Parque”.

2014-08-14, Óbidos - 1º Passeio de Reformados da União das Freguesias de Alvega e Concavada

Isabel Maria, 84 anos, já no cimo da muralha.

A próxima paragem é Óbidos, onde se passou mais meia hora. O sol já começava a queimar mas nas ruas estreitas entre tasquinhas e cafés sempre se apanhava a sombra dos edifícios antigos da vila. Quem não se importava com o sol era Isabel Maria, de 84 anos, que se agarrou à sua bengala de apoio e começou logo a subir os grandes degraus de pedra da muralha à entrada. As restantes pessoas apontavam os olhos para cima, com espanto e a avisá-la para ter cuidado, mas a força de vontade era mais forte. Quando questionada, já no cimo da muralha, sobre como estava a ser o passeio, a resposta foi um único “’tá booooom!” seguido de um grande sorriso de orelha-a-orelha.

Óbidos é realmente uma cidade com uma atmosfera diferente, onde o antigo se funde com o novo. Uma das igrejas mais velhas, a Igreja de São Tiago, foi completamente restaurada e transformada numa livraria, por exemplo. Os edifícios são cuidados, e pintados regularmente, e aproveitados para comércio – vinharias, cafés com livrarias incorporadas, pousadas, bancas de madeira… Depois de todos estes anos o cheiro medieval ainda permeia os tempos modernos.

Pena que foi pouco o tempo, e, sem dar para alcançar o castelo, rapidamente avançámos para as Caldas da Rainha, onde ficámos até ao meio-dia à espera da hora de almoço. Aqui o grupo dispersou-se rapidamente no Parque D. Carlos I, quer para se sentar na esplanada do café no interior ou passear pelo jardim a admirar o verde e as cores das flores. Perto de uma das entradas para o jardim havia ainda uma pequena exposição de pintura com entrada gratuita.

2014-08-14, Parque D. Carlos I, Caldas da Rainha - 1º Passeio de Reformados da União das Freguesias de Alvega e Concavada

Guilhermina Maia e o marido – Jacinto Branco.

Num dos bancos perto do lago encontramos Guilhermina Maia e o marido, Jacinto Branco, que já conhecem bem a zona. “Há 16 anos que vimos para cá 15 dias no Verão”, dizem com alguma nostalgia e a garantida de Jacinto a garantir que “conhece isto aqui de palmo a palmo”. São quase duas décadas a vir todos os verões para a Foz do Arelho. Guilhermina justifica: “A água é melhor na lagoa e para os nossos filhos era mais sossegado e mais seguro.” Mas quando questionados sobre como estava a ser o passeio a resposta soou familiar: “o tempo é pouco.”

E mesmo a propósito: o meio-dia chegou depressa e em meia hora estávamos em Alfeizerão, no restaurante Viamar. O Presidente José Felício recebeu todos à entrada para o grande salão onde estavam as mesas e um a um todos nos sentámos. Quem já cá tinha vindo anteriormente sabia que ali as entradas eram as verdadeiras rainhas do almoço. Morcela de arroz, queijo, grão cozido com salsa e cebola, orelha, favas, frango, polvo, tiras de iscas, moelas… Acompanhadas de um vinho tinto e branco do Portal da Serra, e com pão de milho à disposição inclusivé, para quem gostasse. Mas o almoço em si também não ficou para trás, com opção entre bacalhau com natas ou bacalhau assado com puré e uma saladinha para quem quisesse tirar. Para sobremesa havia gelatina, salada de frutas e ainda uma grande fatia de Molotof para os gulosos.

2014-08-14, Restaurante Viamar, Alfeizerão - 1º Passeio de Reformados da União das Freguesias de Alvega e Concavada

Luís Manuel anima o almoço com a sua música.

Depois houve ainda tempo para um pequeno bailarico, e as barrigas cheias não impediram que a pista de dança entre as várias mesas enchesse de gente a bater o pé com a música do artista Luís Manuel, que já “é cá da casa” como diz um dos empregados do Viamar. “Normalmente temos este serviço de excursões aos fins-de-semana e ele está sempre cá”, acrescenta. Quando a música parou foi altura de entrar novamente nos autocarros e de nos fazermos à estrada.

A tarde passaria bastante mais depressa – e já nem haveria tempo sequer para visitar S. Martinho do Porto – mas às 16 horas ainda conseguimos parar uma hora na praia da Nazaré. O sol aquecia bastante, ao mesmo tempo que o vento forte levantava cabelos e refrescava caras. Quem quis pode ir sentir a areia macia e molhar os pés na água do mar, quem não quis, pôde dar um passeio agradável à beira-mar e comer um gelado nos muitos cafés da marginal. Ao longo do passeio havia também vários artistas de rua; onde passámos encontrámos dois: uma acordeonista que cantava em francês e um guitarrista que claramente ainda teria que ter muitas lições de guitarra eléctrica pela frente para tocar algo agradável. Mas, para bem ou para o mal, lá estavam eles a animar as esplanadas e o dia de quem passasse. Às 17 horas foi altura de voltar a entrar no autocarro, desta vez em direcção a Fátima.

2014-08-14, Santuário de Fátima - 1º Passeio de Reformados da União das Freguesias de Alvega e Concavada

Fomos recebidos pelo toque dos sinos do santuário.

Assim que chegámos fomos logo saudados pelos sinos do santuário às 18:15. É hora de missa e lá dentro todos se reúnem em volta do altar mais pequeno, cá perto da imagem dourada de Jesus Cristo que recebe os peregrinos depois de quilómetros e quilómetros a pé. Na verdade, enquanto a missa decorre, passam duas jovens raparigas de joelhos e fazem uma pausa perto de uma das paredes. Mas houve quem fosse com outros objectivos. Algumas pessoas lançaram-se logo em direcção às velas – para acender uma por amigos e familiares nestes tempos tão difíceis.

Com partida agendada para as 19:15, acabámos por sair do santuário pelas 19:40. Houve quem se tivesse perdido no santuário e com os atrasos o Presidente José Felício acabou por ter que ficar para trás com a pequena carrinha da União das Freguesias, de modo a que os motoristas dos 3 autocarros pudessem cumprir os seus horários. As pessoas reclamaram e opinaram sobre as razões do atraso, mas o certo é que apesar do fim, ninguém nega que foi um dia diferente e bem passado. Houve pouco tempo, mas visitaram-se imensos lugares e fez-se muito. O sorriso na face das pessoas marca a satisfação e a vontade de para o ano se repetir a proeza; talvez com um pouco mais de calma.

Vejam as fotografias do passeio aqui.

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