Sobre Alvega

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GEOGRAFIA E ECONOMIA

Antes da União das Freguesias em 2013, Alvega era uma freguesia com cerca de 55,3km2 de área e cerca de 1729 habitantes na margem esquerda do Tejo e localizada na extremidade oriental do Concelho de Abrantes, a 17kms da capital de concelho. Fazia fronteira com Mação a norte, Gavião a nordeste e a sueste, Ponte de Sor a sul e ainda São Facundo a sudoeste e Concavada a oeste.

As principais actividades económicas são predominantemente centradas no sector primário – incluindo agricultura (olivicultura, fruticultura, horticultura, cereais) e na criação de gado ovino e caprino – mas no sector secundário (indústria) existe ainda pequenas unidades de serralharia de ferro e alumínio e pequenas empresas de construção civil. Já o sector terciário é representado principalmente pelo comércio de proximidade, com pequenos minimercados e cafés a centrarem-se como pontos comerciais e de convívio e entretenimento. Houve durante anos uma farmácia, mas neste momento encontra-se encerrada.

 

HISTÓRIA

A história de Alvega é muito assente em lendas e poucos factos históricos. Para a origem do nome em si, existem duas versões. A primeira defende que o nome Alvega deriva da cidade romana que a precedeu – Aritium ou Aritius Vetium – e a segunda que na verdade o nome deriva na designação que os árabes davam ao local: Al-rega.

Na altura da ocupação romana, Aritium foi um porto fluvial extremamente importante que funcionava como um ponto de passagem militar estratégico entre Lisboa e Ernerita (Mérida). A fortaleza que outrora existia, no entanto, crê-se destruída durante a invasão dos Vândalos. Após essa época, no século VIII, instalaram-se os árabes, a povoação passou a chamar-se Al-rega e durante esse tempo registou-se um certo crescimento da população. Mesmo assim, apesar disso, o local em si já é habitado há centenas de anos, mesmo antes da ocupação romana. No local apelidado de “Barca dos Bandos”, foram encontrados vestígios de uma fortaleza que terá sido ocupada por Gregos e Fenícios.

Em termos de lendas há histórias que envolvem certos locais ou hábitos. Por exemplo, em relação à Buraca da Moura (uma fenda profunda que existe junto à Estrada Nacional 118) conta-se a história de uma bela Moura que saía de noite para cantar os seus triste lamentos, ou que romanos e árabes haviam extraído ouro de lá e usado o túnel para transportar água para fazer mover moinhos de rega.

Conta-se ainda que Viriato, o célebre estratega lusitano que resistiu à ocupação romana de forma exemplar – recorrendo a estratégias sofisticadas e a guerra de guerrilha –, terá nascido na localidade de Aritius Vetium, actual Alvega. Chegou inclusivé a dialogar com Roma e alcançar o estatuto “Amicus Populi Romani” – aliado em paz com Roma.

 

TRADIÇÕES

Entre as tradições da terra encontram-se as “Janeiras” a dia 6 de Janeiro, onde grupos se juntam para ir cantar às portas dos habitantes.

No Carnaval é tradicional (mas não muito em prática nos dias de hoje) as “caqueiradas”, que implicam atirar pratos e bilhas partidas para dentro das casas quando as janelas estão abertas. Ainda no Carnaval, nas duas quintas-feiras que se lhe antecedem, também se costumava “chocalhar” os compadres e comadres – são levados chocalhos e outros objectos que produzam sons fortes junto das portas, na primeira semana as das raparigas solteiras, e na segunda semana as dos rapazes.

Na Páscoa, é ainda tradicional as comadres oferecerem um bolo feito por elas aos compadres, e em troca os compadres deveriam oferecer prendas ou amêndoas.

As tradições religiosas são também uma presença forte. Na “Quarta-feira de Cinzas” (dia seguinte ao Carnaval) é tradição os moradores do Monte Galego enterrarem o Entrudo, e no último fim-de-semana de Agosto é realizada sempre uma festa em honra da Nossa Senhora dos Remédios, que inclui uma Procissão e um Leilão de Fogaças.

Comidas tradicionais incluem: sável, fataça ou tainha assada na telha, lampreia, semineta, borrego à lampreia, sopa de peixe, couves com feijão, migas de volta, bacalhau assado e açorda de sável, arroz doce, tigeladas, amassados e pão-de-ló. Todos estes pratos estão normalmente disponíveis ao público durante a feira gastronómica anual da freguesia, normalmente realizada na primeira semana de Julho. De notar, no entanto, que o sável hoje em dia é considerada uma espécie rara e vulnerável em Portugal, e em vias de extinção internacionalmente.

 

PATRIMÓNIO

Quinta de Santo António de Alvega – está situado à entrada de Alvega e é o resultado do reaproveitamento de um antigo palácio senhorial mandado construir no século XVII pelo Conde Caldeira de Mendanha para servir de solar à família. Os Mendanhas eram bastante influentes na zona de Abrantes, e o Conde Caldeira teria sido mesmo amigo e rival do Marquês de Pombal. Da construção antiga encontra-se ainda intacto o portão de granito em estilo barroco onde se integra um escudo com as armas dos Mendanhas, Caldeiras, Almeidas e, possivelmente, dos Lobatos. Hoje em dia foi reaproveitada para Turismo de habitação.

Igreja de São Pedro – Igreja dedicada a São Pedro com uma só nave e uma pintura da Nossa Senhora da Glória do século XVIII no interior, perto da estante missal onde se encontra também o brasão da Ordem de São Domingos.

Capela de Casa Branca

Casa e Quinta do Pombal – um local de rara beleza que para além do edifício principal, da fonte e de em exterior repleto de cedros e laranjeiras, inclui ainda uma Capela dedicada a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro com belas pinturas no interior, representando São Luís Rei de França, e São João da Cruz – ajoelhado perante a imagem do Senhor dos Passos. Esta quinta de Alvega foi também descrita por Alexandre Herculano na sua obra “Cenas de um Ano da Minha Vida e Apontamentos de Viagem”. Actualmente encontra-se vedada ao público.

Ponte-Represa Romana – datada do final do século III ou inícios do IV, a ponte apresenta três arcos de volta perfeita que estão apoiados em pilares de forma quadrangular, sendo o tabuleiro em cavalete. Pensa-se que esta ponte terá servido, ao mesmo tempo, de represa, para irrigação dos campos de Alvega, e de ponte, integrada na estrada que estabelecia a ligação entre Tubucci (Abrantes) e Ernerita (Mérida).

Praia fluvial – Houve durante alguns anos uma praia fluvial na margem esquerda do Tejo, mas encontra-se actualmente encerrada e em obras de reabilitação.

Moinhos de água – ao longo das margens do Tejo encontram-se vários moinhos de água, que em tempos tiveram uma grande importância para a economia local.

Nascente de água – com propriedades medicinais adequadas ao tratamento de anemia e clorose férrica.

Vestígios arqueológicos – no Casal da Várzea, terá existido a cidade de Aritium Vetus, da qual são ainda hoje visíveis os pegões do que se pensa ter sido uma ponte sobre o Rio Tejo. Consta que nesta zona foram igualmente encontradas muralhas, alicerces e mosaicos.

 

COLECTIVIDADES

Alvega sempre teve bastantes sociedades ou grupos associados à freguesia, não só dedicadas à preservação da cultura e das tradições, mas também ao serviço da sociedade. Dedicadas à cultura e às tradições temos a Associação Cultural e Recreativa de Casa Branca, Areia e Lampreia, o Clube Recreativo de Pesca Desportiva de Areia e Casa Branca, a Banda Filarmónica Alveguense (com os principais objectivos de ocupação dos tempos livres e o ensino e divulgação da arte musical com uma Escola de Música, que ao mesmo tempo serve de suporte artístico do grupo e permite substituir de músicos quando for necessário) , e o Grupo Folclórico e Etnográfico da Freguesia de Alvega. Dedicadas ao apoio à comunidade temos a Casa do Povo de Alvega, a Associação de Melhoramentos da Freguesia de Alvega e outra do Tubaral, a Associação de Olivicultores de Alvega, e por último a Associação de Regantes e Beneficiários de Alvega, que toma conta do circuito de rega dentro de Alvega e ao qual os interessados podem aceder mediante o pagamento de um valor simbólico duas vezes por ano.

 

INFRAESTRUTURAS

Actualmente, a população de Alvega conta com uma Extensão de Saúde do Centro de Saúde de Abrantes – a funcionar nas instalações da Casa do Povo e que dispõe também serviço de enfermagem diário – bem como o Centro de Dia de Alvega, que disponibiliza apoio domiciliário aos mais idosos e necessitados. A nível de transportes, Alvega tem ainda vários autocarros no sentido de Abrantes e Gavião e a Estação Alvega-Ortiga da CP, que funciona ainda como apeadeiro.

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2 thoughts on “Sobre Alvega

  1. Boa Noite,
    Gostaria de deixar apensas uma nota, de forma a rectificar uma informação incorrecta. Relativamente à Associação de Regantes e Beneficiários de Alvega, esta não funciona de forma gratuita, mas sim através do pagamento (duas vezes por ano) de um valor estipulado pela mesma.
    Continuação de bom trabalho e parabéns pela iniciativa.

    • Bom dia, Cláudia.

      A informação já foi corrigida; muito obrigado pelo reparo. Valorizamos bastante quem tenha algo a acrescentar ao que temos de modo a ter sempre uma informação o mais correcta e completa possível. Qualquer outra coisa que repare, por favor esteja à vontade para apontar.

      Os melhores cumprimentos
      TIC Concavada

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